17/01/2012

Sol Maior

Antes das investiduras, nos escuteiros, fazemos uma velada onde reflectimos sobre o passo que vamos dar. Pediram-me para escrever um texto e como gostei bastante do resultado fica aqui para quem o quiser ler.


Não é como se fosse ontem porque sei que passou muito tempo desde então e a memória já não me guarda tudo quanto gostaria, mas lembro-me vagamente de passar em frente à sede e de ouvir algo, semelhante a isto, dito pela minha mãe: "Oh! Aqui há escuteiros. Meninas, não gostavam que vos inscrevesse?".
Sei, e disso lembro-me muito bem, que estava de ganchinho passado uns tempos, pronta para uma primeira actividade. Foi um jogo de pistas.
Começou lentamente. Não me entrego rapidamente e as mensagens eram difíceis de decifrar. Mas depois de algum tempo e de ir contra um poste, lá me deixei moldar pela patrulha que me ensinou que trabalhando em grupo e estreitando laços, se chega bem mais rapidamente ao posto seguinte.
Quando a pista ficou azul estranhei.. avancei a medo, e depois de algum caminhar lá consegui acompanhar o passo. Mais aventuras, responsabilidades, amizades e crescimento. 
E agora mais um posto, de mão dada com o espírito vermelho, lá subi uma Drave que nunca se pára de escalar. Mas no topo, depois de um sorriso rasgado de felicidade, há sempre uma nova pista marcada no chão. Uma nova caminhada. 
Acredito que não seria metade da pessoa em que me tornei até hoje se não tivesse aceite a proposta da minha mãe.
O escutismo não são horas de lenço ao pescoço, é uma forma de estar na vida, repleta de boa disposição, soluções e não problemas, amizades para sempre, perdão para os erros, espírito de amor e entrega, trabalho feliz sem recompensas e claro, arroz de atum! :D
Este lenço significa então, para mim, uma busca constante por mudança, uma disponibilidade crescente para o serviço, uma cabeça ainda mais atenta a tudo quanto possa aprender e uma lembrança material de que aquele dia em que caminhava, envergonhada de ganchinho, para a primeira actividade, foi o primeiro dia do resto da minha vida!

23/12/2011

barulho das luzes


Fica aqui esta para desejar a todos um Natal cheio de música quentinha, doces que só sabem bem nesta época e amor para espalhar por aí!

08/12/2011

All I want for Christmas is a new pair of socks!

Este foi escrito por um dos melhores presentes que a vida me tem dado: a Sara!
Aproveitem.


O natal cheira a chulé. A sério.
Ninguém está a vontade no sofá se não estiver descalço. O natal não é o mesmo se não podermos fazer aquela criancice de correr metade do corredor e fazer o resto a escorregar (na esperança que a corrida não acabe com o nariz espetado no chão). A sério, a que sabem as histórias de terror e as cócegas com os primos pequenos se não podermos espernear à vontade? E as conversas sobre o mais recente amor da prima mariana se não estivermos de meias em cima da cama e lambuzar os dedos das filhoses que a avó fez? 
Normalmente até abrimos a gaveta e escolhemos as meias dos floquinhos de neve, ou as das renas. 
Cá em casa o natal é sem sapatinho. a casa está cheia de luz, a família vai chegando, o pai lá esquece a crise e liga o aquecedor, a mãe não se importa que a cozinha esteja cheia de açúcar e farinha, toda a gente aparece com as bochechas vermelhas, há muito barulho e o pessoal anda descalço.
O problema é que há sempre alguém que cheira a chulé. 
Então, o cheiro da canela, do açúcar, do chocolate e do caramelo mistura-se no ar, envolto no cheiro a couve e a bacalhau, mais o perfume que toda a gente pôs atrás das orelhas... com o o inconfundível cheiro a chulé. Há sempre um primo ou um avô com peúgas mais pretensiosas e que junta mais um ingrediente neste conjunto de cheiros de Dezembro.
E lá em casa, o chulé é meu.